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Arte


Joana Vasconcelos - Miguel Domingos/©Unidade Infinita Projectos.

Na Galerie des Glaces foi montada ao fundo, a poucos metros da porta que dá acesso ao Salão da Paz, uma das peças-chave da exposição: "Marilyn”, um gigantesco, cintilante e muito elegante par de sapatos de salto alto, que se integra com uma paradoxal desarmonia no fabuloso conjunto destinado a exaltar o poder absoluto do rei.

Os sapatos, construídos com caçarolas de aço inoxidável da Silampos, associam o seu brilho fulgurante aos 357 espelhos do majestático salão e, como os de Dorothy ("Feiticeiro de Oz”), são mágicos. A sua simples presença no palco da soberania mais total conduz a uma estonteante metamorfose no visitante, que é transformado, de repente, em criança.

O par de sapatos muda tudo no teatro de espelhos, pinturas exaltantes e ornamentos dourados: abre a porta ao mais maravilhoso dos feitiços e à viagem num mundo imaginário habitado por graciosas mulheres. Feminista e feminina, diz com fulgor especial junto às caçarolas que são motivos naturais tornados em luxo, é a mulher contemporânea dividida entre a casa, a família e a sua função pública; os sapatos são o símbolo das mulheres, do glamour, as caçarolas representam a vida tradicional.

Joana Vasconcelos é a primeira mulher a expor no Palácio de Versalhes em Paris depois do americano Jeff Koons, do japonês Takashi Murakami e dos franceses Xavier Vei lhan e Bernar Venet.